Iremos apresentar um programa de Reforma Educativa, que deverá entrar em vigor de imediato.
Um Curso Superior - Direito, Privilégio ou Necessidade?
Entretanto, passados 30 anos, todos reconhecem que o sistema de ensino se encontra num estado péssimo. As razões para isso, no que diz respeito à Escola, já foram abordados nos artigos anteriores [1-3]. Agora vamos analisar os resultados na parte final do sistema de ensino, ou seja no Ensino Superior.
Competitividade na entrada para o ensino superior
A competitividade na entrada existe, embora apenas para certos cursos de maior prestígio social, por exemplo medicina e para outros, com prestígio social mais moderado, mas ministrados pelas universidades de maior prestígio. Para muitos outros cursos a competitividade é efectivamente inexistente visto que são admitidos alunos com média escolar pouco superior a 9,5 valores, cujo nível objectivo de conhecimentos corresponde a 6 ou 7 valores [4], ou seja, são admitidos pessoas com demonstrada incapacidade para estudar. Saliente-se que na grande maioria dos casos a culpa dos resultados fracos não é atribuível ao aluno, mas sim ao sistema escolar incompetente [1].
Incompetência do estudante e desvirtuação do ensino superior
Deparando com a falta de estudantes competentes em muitos cursos, conjugada com a falta de competitividade nas entradas, provocada tanto pelas razões de ordem demográfica como pela degradação avançada do sistema escolar, as universidades têm que ensinar estudantes manifestamente incompetentes, sem conhecimentos básicos de Português e Matemática, sem capacidade de memorização e de raciocínio e sem capacidade de aprender [1-3].
Estes estudantes são avaliados, mas, na falta de conhecimentos que não conseguem adquirir, são avaliados em algo diferente, de mesmo modo que os alunos da escola secundária nos exames nacionais [4]. Usa-se, por exemplo, avaliação por trabalhos em vez dos exames. Este recurso é muito usado pelos professores e resulta da falta de capacidade para a aprendizagem por parte dos alunos. Muitos vezes estes trabalhos são elaborados pelos estudantes por cópia directa dos trabalhos feitos por outros, disponíveis na Internet, sem que o estudante percebesse a matéria ou aprendesse a usar os conhecimentos expostos nestes trabalhos. Além de práticas educativas moralmente condenáveis, este tipo de ensino superior cria "especialistas" incompetentes, sendo por isso um desperdício de recursos públicos.
Além de uma avaliação que desloca o foco de conhecimentos e competências específicos das disciplinas para os conhecimentos e competências gerais, tais como fazer pesquisas na Internet e preparar trabalhos bem formatados a partir desta informação, o ensino de estudantes incompetentes numa universidade implica a degradação dos outros componentes do processo de ensino. Nomeadamente, numa turma fraca não se conseguem resolver tantos exercícios nas aulas teórico-práticas nem se conseguem dar trabalhos para casa contendo exercícios em número razoável e de dificuldade suficiente, já que os estudantes são incapazes fazer mesmo as coisas mais simples. Para essas, deviam bastar as competências supostamente já adquiridas pelos estudantes ainda durante o ensino secundário, mas que adquiridos nunca foram, por ter sido aplicada na Escola uma avaliação tão disparatada e fraudulenta como a da Universidade.
Curso superior como necessidade social
Sendo a formação superior um pré-requisito de muitas profissões, tornando-se uma necessidade quase universal na sociedade moderna, sendo esta formação custeada pela nossa sociedade, ela deve ser rentável, no sentido de produzir quadros de qualidade e num espaço de tempo razoável. Não se deve tornar num negócio, mas também não pode continuar a desperdiçar o financiamento público, levando 50% recursos a mais para formar quadros de qualidade apenas medíocre. Para isso as universidades devem subir a média mínima de entrada, até pelos menos 12,0 valores, o que ia reproduzir a situação existente antes de 2005 [4], ou ainda mais, passando a não admitir estudantes que não tenham demonstrado capacidade de estudar.
Medidas propostas
A curto prazo: subir as médias mínimas de entrada, até 12,0 valores ou mais [4].
A médio prazo: repor a validade científica e pedagógica no ensino escolar [1-3].
Referências
1. Erros Conceptuais da Escola
2. Matemática: Ensinar a Memorizar
3. Ensinar a ler pelo método fonético (sintético)
4. Exames Nacionais antes e depois de 2005
Exames Nacionais antes e depois de 2005
Os alunos finalistas que fizeram exames nacionais após 2005 ficaram beneficiados, em termos de notas, pela reestruturação dos exames ordenada pelo Ministério de Educação. Esta reestruturação substituiu parcialmente a avaliação dos conhecimentos específicos das disciplinas pela avaliação dos conhecimentos não-específicos, que pertencem ao domínio do bom senso e da experiência diária. Introduzidos gradualmente nos anos 2006 a 2008, estes ajustes estruturais fizeram, entre outras coisas, com que as notas médias dos exames nacionais em Matemática e Português subissem de 7,0 para 12,5 valores, enquanto a taxa de aprovação subia igualmente de 30% para 90%, deixando contentes quer os alunos quer os pais, mas, em primeiro lugar, o Ministério de Educação.
Infelizmente, esta subida administrativa de notas fez com que os alunos que antes ficavam fora do ensino superior, por terem a nota média inferior a 9,5 valores, mínimo exigido pelas universidades, pudessem entrar agora sem que o seu nível de conhecimentos tivesse melhorado relativamente a 2005.
Para as pessoas perceberem, deixamos aqui um gráfico que permite comparar as notas obtidas na avaliação de conhecimentos antes (Avaliação de conhecimentos) e depois de 2005 (Nota do exame). Podemos confirmar facilmente que os mais beneficiados foram os alunos com menos conhecimentos. Por exemplo, para obter uma nota de 9,5 valores e entrar num curso superior, basta ter agora os conhecimentos específicos da respectiva disciplina avaliados em 2,5 (!!!) valores. Assim não nos surpreende a existência de alunos que levam mais de 10 anos para acabar um curso superior com médias finais muito fracas. Por outro lado, para manter os padrões de conhecimento iguais aos que existiram antes de 2005, deviam as universidades aumentar as notas mínimas de entrada, de 9,5 para 14 valores, como mostram as setas no gráfico.
Assim, consideramos que a actuação do Ministério da Educação é contrária à própria natureza da educação.
Acrescentado posteriormente
A diferença entre as notas de avaliação contínua e as notas de avaliação por exame, que o ME corrigiu em 2005, surgiu porque na avaliação contínua o aluno melhor aproveita a sua memória de custo prazo. De facto, a memória de curto prazo é o único recurso da esmagadora maioria dos alunos, pois não estão a ser ensinados nem incentivados para usarem a sua memória de longo prazo, conforme explicado neste post.
Melhorias no sucesso escolar no ensino secundário no ano lectivo 2006-2007: fraude educativa generalizada
Consideremos os factores que afectam a situação:
- O aluno médio não tem capacidade de estudar com aproveitamento a matéria da escola secundária - as razões foram expostas aqui e aqui.
- O professor deve avaliar os seus alunos, dando-lhes uma nota.
- O professor vê-se obrigado de passar uma percentagem razoável dos seus alunos, já que está a ser avaliado com base no seu sucesso escolar.
- Avaliando os conhecimentos do aluno, terá que lhe dar uma nota negativa.
Com certeza, podemos passar todos os alunos, mesmo os que não aparecem nas aulas. Saberão alguma coisa daquilo que supostamente andaram a estudar?
Um exemplo da vida: um professor de Matemática, para melhorar as notas da turma, mandou fazer um Trabalho, no fim do ano lectivo, no qual os alunos deviam apresentar as fotografias, tiradas nas ruas da cidade, dos objectos que "têm a ver com a Matemática". Podem ter certeza que todos os alunos com uma nota sistematicamente negativa receberam uma boa positiva por este trabalho, ficaram com uma positiva anual, e nenhum repetiu o ano por causa da Matemática! Um belo exemplo para toda a comunidade pedagógica que ainda se continua a esforçar para transmitir algum conhecimento aos alunos.
Mais sobre a fraude educativa: O estado do ensino em Portugal (III)
A qualidade de manuais escolares e a sua utilidade ficam fortemente prejudicadas pela sua variedade e pela rapidez da sua reedição
Tese 1. Não existe necessidade de editar vários manuais, diferentes, para uma mesma disciplina e para o mesmo ano de escolaridade e/ou ano de aprendizagem.
Justificação: Os conteúdos programáticos expostos em todos estes manuais são os mesmos, entretanto, o próprio direito da escolha pela qual se justifica a existência de vários manuais acaba por ser inviabilizado, já que o professor tem que escolher entre vários manuais, todos notoriamente fracos, pois o Ministério não tem a capacidade operacional de impor os padrões de qualidade a um conjunto tão vasto de manuais escolares.
Tese 2. Não existe necessidade de produzir as edições novas de um mesmo manual, todos os anos.
Justificação: Os conteúdos programáticos ensinados na disciplina não se alteram, de modo significativo, mesmo em 10 anos, e muito menos dentro de 1 ano. Por outro lado, se o professor entende de incluir nas suas aulas um ou outro exemplo das descobertas mais correntes, tem toda a liberdade de o fazer e não precisa de ter essa informação escrita no manual.
Tese 3. As reedições anuais deixam todos os manuais escolares cheios de erros, pois esses nunca são corrigidos.
Justificação: Os manuais escolares, principalmente os da escola secundária, trazem imensos erros, os quais nunca são corrigidos – tanto por falta do tempo para recolher as opiniões de professores, como por falta de capacidade de reacção de autores e editoras, – e assim tipicamente persistem de uma reedição para a seguinte, sempre acrescentando alguns erros novos em cada reedição.
Tese 4. O estado corrente de manuais escolares desacredita os manuais em si, os seus autores, e o Ministério de Educação, por incapacidade de proporcionar manuais de qualidade, e requer um esforço adicional de professores.
Justificação: Os professores muitas vezes referem aos manuais escolares com pouca consideração, dizendo, e com razão, que nem vale a pena tentar resolver os exercícios ai apresentadas, pois as soluções do manual são todas erradas, e frequentemente mesmo desistem de usar os manuais, desenvolvendo conjuntos de exercícios que acham convenientes para os alunos.
Tese 5. A reedição anual de manuais escolares gasta recursos desnecessariamente.
Justificação: A reedição anual de manuais inviabiliza a sua utilização plurianual, provocando gastos desnecessários por parte de famílias portuguesas.
Medidas propostas
Editar-se-ia um único manual para cada disciplina e ano de escolaridade ou ano de aprendizagem, escolhido de entre as propostas apresentadas, nas moldes a estabelecer pelo Ministério de Educação. Este manual seria válido pelo período mínimo de 5 anos, editando neste período apenas os exemplares que possam ser necessárias para substituir os exemplares degradados, os cadernos de trabalho do aluno, se estes existem, e as folhas de correcção de erros, sempre quando isso se justifica, e com urgência.
Os custos normais aos alunos seriam de 1/5 do preço da capa, mas serão pagos na integra, a partir da caução depositada na escola no início do ano lectivo, em caso de não devolução do manual no fim do ano, ou da sua devolução em estado que impossibilita a sua futura utilização.
Introdução: a origem dos problemas existentes no sistema de ensino Português
Há 20 anos foram tomadas em Portugal medidas que se revelaram altamente prejudiciais para o sistema de ensino nacional, e que levaram este sistema ao estado lamentável em que este se encontra hoje, desde a escola primária às universidades públicas.
Nos dois capítulos seguintes vamos mostrar que os problemas hoje existentes no sistema escolar devem-se à manifesta incorrecção científica e pedagógica dos métodos de ensino de Português e de Matemática, que foram postos em prática naquela altura.
Como consequência, um aluno médio não se consegue exprimir em Português, e não está habilitado aos estudos de qualquer disciplina exacta, que exija conhecimentos de Matemática, nem aos estudos de qualquer disciplina que exija pensamento abstracto.
Este aluno também não se encontra habilitado para continuar a sua formação ao nível universitário ou politécnico, mas acaba por entrar nos estabelecimentos de ensino superior, os quais se vêm obrigados a reduzir o nível de exigência tanto na admissão dos alunos aos cursos superiores, como na sua avaliação durante os estudos, por falta de alunos devidamente habilitados.
O que está em causa são os métodos de ensino inválidos, que travam o desenvolvimento intelectual do aluno e não lhe permitem dominar as matérias curriculares.
Eliminar o insucesso escolar
Propositum capiunt Tartara, facta Polus.
As experiências com os programas e métodos de ensino durante os últimos 20 anos criaram uma série de problemas de fundo no sistema escolar, resolúveis apenas a médio e longo prazo. Com efeito, o ensino superior também não consegue funcionar eficazmente, pela falta de alunos adequadamente preparados pelo ensino básico e secundário. Infelizmente, o recente "Debate Nacional sobre Educação", promovido pelo CNE, deixou os assuntos metódicos no esquecimento completo.
Problemas identificados
A análise detalhada que efectuamos nos dois capítulos anteriores, baseada nas notas dos Exames Nacionais de Português e Matemática do 12º ano, demonstrou que um aluno médio não consegue ler, perceber e interpretar um texto escrito, tem falta de competências Matemáticas e de pensamento abstracto, com consequentes limitações graves em todas as disciplinas do currículo escolar.
Suas origens
Os problemas detectados originam-se nos erros metódicos, introduzidos com base em teorias pedagógicas cuja inconsistência foi já amplamente demonstrada nos últimos 20 anos de práticas educativas em Portugal, pelos resultados desastrosos obtidos. Como demonstrámos, o aluno médio, ensinado com base nestas teorias, não consegue adquirir na Escola nenhuma das competências fundamentais. Como consequência, estará fortemente limitado na continuação da sua educação, tanto a nível universitário, como ao nível da formação contínua, e nas possibilidades de emprego, durante a sua vida. Devemos sublinhar que as inevitáveis falhas na organização do processo educativo e na competência de alguns professores apenas ligeiramente agravam o efeito fortemente prejudicial dos erros metódicos.
Metas
O aluno médio, no final do 12º ano, deverá ter uma média de “Bom”. Introduzidas hoje as alterações metódicas necessárias no ensino escolar, os alunos que entrarão este ano no 1º ano da escola primária terão todas as condições imprescindíveis para quebrar as tradições tristes às quais já estamos acostumados.
Medidas propostas
As medidas indispensáveis e urgentes já foram detalhadas nos capítulos anteriores, e incluem a introdução do método fonético no ensino de leitura, na escola primária, e dos exercícios para desenvolvimento das capacidades de memorização sistematizada, em todas as disciplinas do currículo escolar. Alem disso, devemos esquecer as tentativa inúteis de usar o pensamento "crítico e independente" dos alunos do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico. O que está em causa são os métodos pedagógicos inválidos, que travam o desenvolvimento intelectual do aluno e não lhe permitem dominar as matérias curriculares. As alterações propostas são compatíveis com o modelo escolar e o modelo de ensino existentes.
Perspectivas correntes do sistema educativo nacional
No seu estado corrente, o sistema educativo reproduz a ignorância, na escala sempre mais alargada, pois já se tornam professores as pessoas formadas nos últimos 20 anos, na educação das quais o sistema escolar falhou redondamente.
Matemática: Ensinar a Memorizar
As experiências educativas irresponsáveis dos últimos 30 anos criaram um conjunto de problemas de fundo no ensino escolar português, resolúveis apenas a médio e longo prazo. Entre estes, destaca-se a absolutização do raciocínio e criatividade em detrimento da memorização, ao longo de todo o percurso do aluno na Escola, o assunto deste capítulo.
Memorizar – para quê?
Os promotores das ditas experiências educativas dirão categoricamente que não é preciso memorizar ou decorar nada, basta perceber como as coisas funcionam, e assim consegue-se logo deduzir seja o que for, pensando logicamente. Vamos então recordar o que vimos na televisão na altura do tsunami na Indonésia – uma menina inglesa, tendo memorizado na escola e rapidamente recordado os indícios de um tsunami, logo comunicou as suas conclusões lógicas aos pais, e como resultado não só sobreviveu ela própria e a sua família, mas também todos os outros ocupantes do seu hotel. Entretanto, havia nas praias muitas outras pessoas, as quais não tinham qualquer conhecimento memorizado em relação a isso, então as suas capacidades de raciocinar criativamente também de nada lhes valeram para salvar a própria vida. Conclui-se que precisamos de desenvolver as duas coisas em harmonia, para podermos tanto usar o conhecimento já acumulado pela humanidade – pela memorização, como criar conhecimento novo, pelo raciocínio próprio.
Avaliação
Precisamos de um critério para avaliar a capacidade de memorizar dos nossos alunos. Ora, a Matemática é uma disciplina fundamental para todo o conhecimento exacto, que pode ser expresso por números, incluindo Ciências e Tecnologias. A Matemática lida com objectos abstractos, inexistentes na sua forma pura, definindo os mesmos, e estudando as suas propriedades, para futuros usos práticos. Os mais simples entre estes objectos são os números naturais, como 17. Para começar a usar Matemática, é preciso então saber – ou seja, ter memorizado – as respectivas definições dos objectos, com os quais estamos a trabalhar. Realmente, sem saber as prioridades das operações aritméticas, ensinadas na escola primária, para pouco servem os senos – cuja definição também é preciso saber, para aplicar as fórmulas na prática. Assim, a capacidade de memorização é mesmo imprescindível para Matemática, por outro lado, o aluno com boa capacidade de memorização sistematizada não falhará em Matemática.
Vamos então usar os resultados dos Exames Nacionais de Matemática para avaliar as capacidades de memorização dos nossos alunos. As notas médias destes exames rondam uns 7 valores. Assim, um aluno médio, tendo chegado ao fim do seu percurso escolar, não aprendeu mais que um terço do que devia. Mas a falta de competências matemáticas significa falhas nas capacidades de memorização, as quais deverão ser desenvolvidas na Escola, mediante exercícios persistentes. Senão, as capacidades de memorização se atrofiam, como qualquer outra capacidade humana não utilizada: deixam de saber andar os doentes, acamados durante muito tempo. Assim, avaliamos a capacidade de memorizar sistematicamente dos nossos alunos, com a nota de “Não Satisfaz”.
Sintomas
As falhas na capacidade de memorização sistematizada revelam-se fatais para o ensino da Matemática, e de todas as outras disciplinas que requerem uma capacidade de raciocínio abstracto, não desenvolvida na Matemática. Entre estas destacaremos Física, da qual ninguém gosta, pois esta tem muitas noções fundamentais abstractas, como “ponto material”. Muitas outras disciplinas, como Psicologia, dependem apenas das experiências da vida quotidiana, e são muito amadas pelos alunos.
Muitos alunos “estudam para testes”, recorrendo à memorização indiscriminada, para assim evitar o insucesso escolar. Eles decoram páginas inteiras da matéria “que vai sair”, e depois copiam da memória para a folha do teste, esperando incluir na resposta alguma coisa relevante. Infelizmente, este tipo de memorização pouco ou nada ajuda ao aluno: este não consegue aproveitar os conhecimentos decorados em futuras ocasiões, e estuda do zero para cada teste , na falta de informações sistematicamente memorizadas. Estes alunos não conseguem estabelecer qualquer relação entre o que estão a estudar, e o que já aprenderam noutras disciplinas, ou em anos anteriores. A desculpa muito frequente do tipo “não me lembro disso, isso foi dado já há muito tempo, ainda na primária” é um indício muito claro, que aponta às falhas gravíssimas e muito comuns nas capacidades de memorização sistematizada dos nossos alunos.
Diagnóstico
Os alunos não desenvolvem as suas capacidades de memorização, pois os exercícios para isso necessários foram excluídos de programas de todas as disciplinas escolares. Isso conduz ao insucesso escolar da maioria dos alunos, provocado pelos métodos e programas de ensino, manifestamente inadequados. Saliente-se que as insuficiências ao nível de qualificação de professores pouco contribuem para o insucesso escolar generalizado.
Metas
O ensino na Escola Primaria deverá ser baseado no desenvolvimento e aproveitamento das capacidades de memorização sistematizada. Os elementos de raciocínio crítico e criatividade deverão ser introduzidos nos programas escolares gradualmente, ao longo do percurso escolar do aluno, ocupando um espaço cada vez maior na medida do seu crescimento e desenvolvimento intelectual, atingindo uma maior expressão na Escola Secundária.
Medidas
Assim, os livros escolares e os materiais metódicos de todas as disciplinas e de todos os anos deverão ser reeditados, para incluir exercícios para o desenvolvimento das capacidades de memorização sistematizada. Isso inclui poemas nas aulas de Português, tabuada, definições e fórmulas na Matemática e Ciências, nomes dos Reis de Portugal e datas históricas, Hino Nacional, e todos os outros conteúdos programáticos que não se deduzem logicamente. Além disso, devemos deixar de perder o tempo com as tentativas de usar o "pensamento crítico e independente" dos alunos
Ensinar a ler pelo método fonético (sintético)
Assume-se que os problemas existentes no sistema educativo português podem ser resolvidos amanhã, desde que sejam hoje tomadas as medidas “correctas”. Mas, na realidade, são a consequência das decisões tomadas no decurso das experiências educativas irresponsáveis dos últimos 30 anos, as quais criaram problemas de fundo, resolúveis só a médio ou longo prazo. Aqui, falaremos de um dos problemas mais urgentes: como se ensina a ler na escola primária.
Avaliação do ensino Básico e Secundário
Avaliemos o ensino em termos de competências-chave adquiridas. Realcemos apenas a mais importante destas competências – saber ler, perceber e interpretar um texto escrito. Nos Exames Nacionais de Português do 12º ano, de um total de 20 valores, são dados 8 pela interpretação de um texto escrito. Como sabemos, as notas médias rondam 7 valores. Assim, um aluno médio adquiriu esta competência-chave apenas a 30%, pois um aluno excelente nesta competência não conseguirá falhar redondamente em tudo o resto. Assim, o aluno médio não atinge, no fim do 12º ano, tão-pouco o nível exigível aos alunos da escola primária. Entre os alunos que entram no ensino superior, muitos falham também nessa mesma competência-chave, saber ler, perceber e interpretar um texto escrito, o que não surpreende, pois têm uma média escolar abaixo de 10 valores. Assim, a avaliação que poderemos atribuir ao ensino de Leitura e Português, é "Não Satisfaz".
Ensino da leitura
Acontece que vigora o método visual (método global) de ensino de leitura: os alunos são ensinados a reconhecer palavras inteiras pela sua aparência visual. Este método foi promovido por um educador americano, e é radicalmente diferente do método fonético: aprender as letras – construir as sílabas – palavras – frases. Este educador conseguiu combinar bem os dois métodos, pois os seus alunos aprendiam a ler melhor. Entretanto, a aplicação das suas ideias no nosso sistema escolar leva ao absoluto a componente visual. A consequência disso é que a grande maioria dos professores ensina a ler pelo método visual com resultados desastrosos: os seus alunos não aprendem a ler em tempo útil, continuando sem saber ler mesmo no 4º ano da primária. Infelizmente, são incontáveis os exemplos.
Método visual (global)
As nações sem outro remédio para o ensino da leitura que não o método visual são as orientais, que utilizam na escrita os ideogramas. Os ideogramas são desenhos simplificados, cada um dos quais representa uma palavra, sendo todos os ideogramas diferentes uns dos outros, embora muitos conceitos são construídos por mais que um ideograma. Um japonês bem-formado sabe cerca de mil ideogramas. Isso dá cerca de cem ideogramas por ano de ensino, ou então cerca de dois por semana, o que até não parece muito. Entretanto, um aluno japonês, para atingir o sucesso escolar, estuda muitas mais horas por dia que um aluno ocidental.
Assim, o aluno português tem que reconhecer as palavras pela sua aparência visual, sem saber as letras nem as sílabas. Vendo páginas cheias de texto, rapidamente perde a confiança nas suas capacidades, pois todos os dias exigem-lhe que aprenda mais palavras, a uma velocidade que em muito excede os dois ideogramas por semana de um japonês. Entretanto, enquanto aquele sabe que deve estudar arduamente, este não tem a mínima noção, pois nunca lhe exigem trabalho sério na escola. Perdidas as esperanças, o aluno desiste e não aprende a ler em tempo útil, com consequências desastrosas – para o seu percurso escolar, e graves – para o resto da sua vida.
As dificuldades do método visual percebem-se melhor em termos do funcionamento do nosso cérebro, pois a maioria das pessoas consegue raciocinar apoiando-se em noções expressas por palavras, construídas por fonemas ou sons. Assim, o método fonético aplica-se ao ensino de Leitura com toda a naturalidade. Por outro lado, apenas os pintores geniais conseguem raciocinar apoiando-se em imagens. Todos conhecemos as dificuldades em aprender sinais de trânsito, embora estes sejam muito menos numerosos que os ideogramas, e foram concebidos para serem facilmente interpretáveis. As pessoas que conseguem ler muito rapidamente apoiam esta sua capacidade no método visual, mas são poucas. Portanto, não se deve complicar a vida da grande maioria dos alunos, impingindo-lhes o método visual na escola primária.
Diagnóstico
Os nossos alunos da primária não conseguem aprender a ler em tempo útil, porque são maioritariamente ensinados a ler pelo método visual, que já vimos que não funciona, sendo os resultados bem visíveis no sistema educativo nacional. Saliente-se que na escola primária não há alunos maus nem professores incompetentes, existem sim métodos de ensino inadequados.
Metas
Os alunos devem aprender a ler até ao fim do 2º ano, ou seja, aos 7-8 anos de idade, correntemente, a cerca de 100 palavras por minuto. Exigir o mesmo ao fim do 1º ano seria demais, porque o aluno ficaria sobrecarregado com todas as coisas novas com que tem de contactar e aprender. O primeiro ano deverá ser dedicado à integração na turma e à aprendizagem de comportamentos disciplinados na aula, de regras de segurança, visitas de estudo aos empregos dos pais, a locais históricos, e quanto mais cedo melhor. Pode-se ir aprendendo o alfabeto e os algarismos, construindo sílabas e aprendendo somas até 20 – mas não se deve tentar que logo no primeiro ano aprendam tudo, pois o aluno, sobrecarregado, ficará desapontado logo no primeiro ano da escolaridade.
Medidas
O método visual deverá ser substituído pelo método fonético, os livros de leitura da Escola Primária deverão ser reeditados para serem usados com o método fonético, já para o próximo ano lectivo, pois cada ano perdido representa mais uma geração de alunos, vitimas do sistema de ensino. O início do ensino do Inglês na escola primária deverá ser adiado para o terceiro ano, para dar tempo ao aluno para aprender a ler com desenvoltura. Senão, o aluno ficará sobrecarregado no segundo ano, e não conseguirá sequer aprender a ler.
Notas em prova- Consta que o Ministério de Educação da França proibiu o método global (visual) no ano de 2006.
- Apareceu no fim de Novembro de 2007 uma notícia na BBC detalhando os planos de fazer com que as crianças Inglesas todas aprendem a ler, ainda com idade de 6 anos, com base em método sintético (fonético).